14.6.06

MICHELIN


A história dos pneus está intimamente ligada a um boneco ligeiramente redondo, simpático e com status de estrela no mundo do marketing. Ele é a personificação de segurança e tecnologia da francesa MICHELIN, responsável pela segurança de milhares de pessoas que utilizam, não importa qual, os mais variados meios de transportes. Quer seja de avião, metrô, automóvel, bicicleta ou moto, a MICHELIN está muito mais que presente nas vidas de todos nós. 

A história 
A ligação da marca MICHELIN com o pneu nasceu da necessidade de um ciclista, inconformado pelo tempo gasto no reparo e na secagem da cola usada para ligar os pneus aos aros da bicicleta. Foi então que os irmãos Édouard e André Michelin, que haviam assumido a pequena fábrica de seu avô Aristide Barbier, então com 52 empregados e que produzia pastilhas de freios feitas de lona e borracha, na pitoresca cidade francesa de Clermont-Ferrand desde 28 de maio de 1889, imaginaram a melhor forma de facilitar este trabalho. Finalmente em 1891, eles patentearam o primeiro pneu de bicicleta desmontável, reduzindo assim o tempo de conserto que durava horas, e necessitava da ajuda de um profissional, para apenas 30 minutos. O célebre ciclista Charles Terront, competindo com pneus MICHELIN desmontáveis, venceu a corrida Paris-Brest-Paris oito horas à frente de seu adversário mais próximo, e 24 horas à frente do terceiro colocado.


A invenção foi rapidamente patenteada e deu aos seus idealizadores a certeza de que ali estaria um produto comercialmente de imenso futuro. Começava então uma nova era para o transporte terrestre. Um ano depois, mais de 10 mil ciclistas já rodavam com pneus MICHELIN. O próximo passo era fabricar pneus para outros meios de transportes. Foi então, que em 1894 surgiu o primeiro pneu para carruagem, cujo conforto e silêncio os parisienses iriam adorar durante seus deslocamentos. No ano seguinte, em uma corrida entre as cidades de Paris e Bordeaux, os irmãos inscreveram um carro, conhecido como “Éclair”, equipado com pneus. Apesar da vitória com certa folga, os constantes furos nos pneus ainda eram um grande problema.


O início do século XX marcou a primeira grande onda de expansão da empresa, instalando-se próxima aos grandes centros automobilísticos (Europa e América do Norte), e a atuação em campos tão variados como o transporte de carga e guias rodoviários. Em 1903, diante do grande sucesso, eles foram negociar seu produto em uma pequena, mas promissora cidade americana chamada Detroit, onde acabava de ser montada uma grande fábrica de automóveis: a Ford. Foi nesse mesmo ano que surgiram os primeiros pneus para motocicletas. A empresa também começou a investir na recém-surgida e promissora aviação com pneus para aeronaves. Em 1906 foi construída a primeira fábrica fora da França, na cidade de Turim na Itália. No ano seguinte outra fábrica foi construída nos Estados Unidos.


Entre 1911 e 1913, a MICHELIN conquista a primeira grande vitória em busca de maior segurança nas estradas francesas: a adoção da sinalização de “quilometragem das estradas”. Além disso, a empresa inventou a roda de aço desmontável, o que permitia a adoção de mais um equipamento de segurança: o estepe. Surgia, também, o “departamento de informações para viagens automobilísticas”, uma grande rede social que permitia o intercâmbio de informações sobre itinerários rodoviários entre a MICHELIN e seus clientes. Nos anos seguintes, a primeira preocupação foi aumentar a confiabilidade e a longevidade dos pneus. Naquele período, a duração de vida de um pneu era bastante curta: entre 1.200 e 1.500 quilômetros. Duas grandes inovações trouxeram para o pneu a resistência ao desgaste: a introdução do Negro de Carbono (pó de Carbono) na fabricação dos pneus, responsável pela sua cor negra, que multiplicou por cinco a sua longevidade, utilizado desde 1917; e o aparecimento na carcaça do pneu de lonas de fios têxteis paralelos uns aos outros. O primeiro grande resultado de todas essas ideias foi o lançamento, em 1923, do “Confort”, primeiro pneu para carro de passeio de baixa pressão (35 libras). Sua longevidade era 10 vezes superior àquela dos primeiros pneus. Dois anos mais tarde, a integração de aros nos talões fixou o pneu à roda com mais confiabilidade que a técnica anterior.



Em 1929, Edouard Michelin pediu aos seus engenheiros um projeto de pneu para ferrovias. Ninguém jamais imaginaria, até aquele ano, criar um pneu que pudesse suportar cargas tão pesadas. A busca por pressões mais baixas reunidas com um desgaste lento continuou e deu seus frutos, em 1932, quando a MICHELIN propôs aos motoristas um pneu com uma pressão muito baixa e duas vezes mais resistente: o Superconfort, que podia percorrer 30.000 km. Esta década foi marcada por grandes inovações, incluindo o primeiro pneu a unir a borracha ao fio de aço, que permitiu compreender melhor o funcionamento do pneu, etapa fundamental para o desenvolvimento do pneu radial;  o pneu com câmara de ar embutida, precursor do pneu sem câmara; o pneu com ranhuras de aderência que reduziam os riscos de derrapagem em pista molhada; e pneu com perfil mais alto, proporcionando maior aderência mesmo em alta velocidade.


Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1946, a MICHELIN deu um novo salto em matéria de tecnologia para mobilidade, inventando, assegurando a patente e produzindo o primeiro Pneu Radial da história, caracterizado por um topo que funciona independentemente das laterais e uma lona-carcaça com filetes de aço dispostos perpendicularmente na banda de rodagem. Menor peso, menos aquecimento e menor consumo de combustível foram apenas algumas das vantagens desta nova tecnologia, que rapidamente tornou-se padrão no mundo inteiro. Esse pneu conquistaria progressivamente todos os tipos de veículos e mercados, garantindo à empresa vantagens comerciais e industriais decisivas sobre seus concorrentes, ao longo dos 30 anos seguintes.


Nos anos de 1980, a MICHELIN engajou-se na direção de novos pólos de atividades econômicas na América do Sul, América do Norte, Ásia e Europa. A inovação se acelerou em todas as categorias de pneus, com destaque para o “Sistema PAX”, para os veículos de passeio e caminhonete; os pneus para engenharia civil e para exploração de minas; o pneu radial para motos, além do primeiro pneu sem câmara para Mountain Bikes. Nesta época a MICHELIN já era um gigante e foi às compras adquirindo, em 1989, a americana B.F. Goodrich, tradicional empresa fundada em 1870. Nas décadas seguintes a empresa francesa, continuamente, investiu no desenvolvimento de novos serviços e produtos, para oferecer aos milhões de consumidores segurança, conforto, desempenho e minimizar o impacto ao meio-ambiente. Tudo para tornar viagens e deslocamentos mais seguros, mais eficientes e mais agradáveis. Mais recentemente anunciou a produção em massa do TWEEL, uma espécie de pneu sem ar que a empresa francesa vem desenvolvendo desde 2005, onde as câmaras de ar são substituídas por tiras de borracha maleáveis. Na verdade é uma roda cujos raios flexíveis de poliuretano se conectam ao centro. Dessa forma, ele absorve impactos e não precisa ser enchido.



A linha do tempo 
1910

Introdução em Clermont-Ferrand do primeiro mapa rodoviário MICHELIN em escala 1/200.00. A ele seguem-se os mapas da Costa Mediterrânea, de Marselha a Nice e da região parisiense. Em 1913, o mapa da França, incluindo 47 páginas, foi inteiramente concluído. Trata-se da primeira cobertura cartográfica detalhada do país, especialmente desenvolvida para o motorista. 
1929

Desenvolvimento do primeiro pneu para ferrovias proporcionando conforto, silêncio, aceleração e freios muito rápidos. 
1930

● Conseguida a patente do pneu com câmara de ar embutida, o percussor do pneu sem câmara. 
1934

● Introdução do pneu CONFORT STOP, com ranhuras de aderência que diminuíam os riscos de derrapagens em pistas molhadas. 
1937

● Criação do pneu para veículo de passeio chamado PILOTO, com perfil mais alto melhorando sensivelmente a aderência na pista, mesmo em alta velocidade. 
1938

● Lançamento do METALIC, primeiro pneu destinado a veículos pesados a unir a borracha ao fio de aço, resistindo muito melhor ao aquecimento e a cargas pesadas. 
1952

● Adaptação da tecnologia radial para pneus de caminhões. 
1965

● Fabricação do primeiro pneu assimétrico (conhecido como XAS), destinado aos automóveis superesportivos da época. 
1982

● Lançamento do XM+S 100, um pneu desenvolvido especialmente para o período de inverno. 
1987

● Lançamento do primeiro pneu radial para motocicleta. 
1994

● Atenção e respeito ao meio ambiente foram o ponto de partida para mais uma inovação da empresa, os PNEUS ENERGY, que mantinham todas as qualidades de aderência e durabilidade dos pneus normais, mas com baixa resistência à rodagem, reduzindo muito o consumo de combustível. 
1996

● Instalação de máquinas, na sede em Clermont-Ferrand, com sistema C3M que oferecia maior reatividade e flexibilidade nos processos industriais, permitindo a fabricação de pneus em grandes séries ou em séries reduzidas, quase “sob medida”, respondendo assim a uma evolução da demanda do mercado. 
1997

● Surgimento de uma grande revolução: o SISTEMA PAX, conjunto pneu/roda, que permitia a mobilidade contínua, mesmo com o pneu vazio, podendo percorrer até 200 km a uma velocidade de 80 km/h. 
Lançamento do CORALDO, primeiro pneu colorido para veículos de passeio. 
2001 
Criação do ViaMichelin, que presta serviços digitais de ajuda à mobilidade e ao viajante. 
2003

● Lançamento do primeiro pneu agrícola que roda com constante pressão baixa. 
2007

● O Airbus A380, maior avião do mundo, faz seu primeiro voo comercial equipado com pneus MICHELIN AIR X, muito superior ao pneu cruzado convencional. Esse pneu havia sido lançado em 1981. 
Lançamento da nova tecnologia ENERGY SAVER que permitia economia de quase 0.2 litros de combustível a cada 100 km e emissões de CO2 em 4 gramas por quilômetro. 
2014

● Lançamento do MICHELIN PREMIER® A/S, um avançado pneu com a nova tecnologia chamada EverGrip, que permite que melhore sua aderência à medida que se desgasta. Os novos pneus com a tecnologia EverGrip são feitos de um composto de borracha exclusivo com quantidades extremas de sílica e óleo de girassol e, em vez de ficar com as ranhuras para escoamento de água mais estreitas, como os pneus tradicionais, elas expandem. Além disso, estes pneus apresentam um segundo conjunto de 150 sulcos que permanecem ocultos quando novos, mas que surgem à superfície quando o pneu torna-se desgastado. 
2015

● Lançamento do MICHELIN CrossClimate, que oferece as vantagens de um pneu de verão na durabilidade, eficiência energética e frenagem em solo molhado e seco, mais as vantagens de um pneu de inverno na tração e frenagem. O pneu é indicado para os consumidores que dirigem em condições ocasionais de frio e com neve. Tudo isto com os mesmo pneus durante todo o ano. 


A expansão da marca além dos pneus 
O sucesso de uma marca depende mais do que ter apenas uma grande reputação. Para a MICHELIN ampliar seu caminho de sucesso foi criada em 2000 a Michelin Lifestyle Limited (MLL), uma empresa cujo foco é desenvolver produtos premium, oferecendo tecnologias avançadas, características inovadoras e, sempre que possível, aproveitando a experiência da MICHELIN em fabricação de pneus. Hoje, a Michelin Lifestyle já desenvolveu mais de 1.500 produtos, estando presente em 85 países ao redor do mundo. Mais de 16.5 milhões de produtos Lifestyle Michelin são vendidos anualmente, entre acessórios automotivos (ferramentas, tapetes, lavadoras de alta pressão e compressores de ar), capacetes para ciclismo e calçados esportivos (com designs de sola inspirados nos pneus de elevado desempenho da marca). Cada produto é desenvolvido através de parcerias de licenciamento com empresas que são líderes em seus respectivos mercados. O compromisso da MICHELIN em melhorar a mobilidade e ampliar o interesse pela marca ajuda a construir relacionamentos mais próximos com os consumidores. Os produtos permitem a criação de novos e significativos pontos de contato com seus clientes, estreitando a interação que de outra forma seria limitada à compra de pneus. A equipe da Michelin Lifestyle trabalha em conjunto com sua rede de licenciados para fornecer melhorias na fabricação dos produtos, como a colaboração técnica no desenvolvimento dos compostos de borracha dos solados dos calçados, além de prover orientação na promoção e distribuição das linhas de produto.


Das pistas para as ruas 
Nas pistas de corrida é que são testadas algumas qualidades essenciais dos pneus, como durabilidade, segurança, economia de combustível e performance na condução. E as competições são os melhores laboratórios para colocar à prova as inovações tecnológicas em situações extremas. Por este motivo que a MICHELIN está, e sempre esteve, intimamente ligada com as principais provas de automobilismo mundial, como WRC de rali, 24h de Le Mans, Formula E e o Rali Dakkar, entre outras. A marca francesa está presente em variados circuitos de corrida em todo o mundo, que contemplam diferentes situações desde pista de asfalto até rally e terreno com cascalho. Sem contar as condições climáticas, que envolvem calor extremo do deserto, além de áreas onde ocorrem chuvas constantes e até neve. Este compromisso reforça o objetivo da MICHELIN em se manter como a mais consistente e representativa empresa responsável pela fabricação de pneus.



Os centros de testes 
Os Centros de Tecnologia, espalhados pela América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul, realizam pesquisas científicas para o desenvolvimento e a introdução de inovações tecnológicas tanto para produtos como para processos. Anualmente são investidos €2 bilhões em pesquisas e desenvolvimentos. Atualmente, a MICHELIN dispõe de quatro importantes Centros de Testes localizados em: 
Ladoux

Localizado na França, próximo à sede mundial da empresa em Clermont-Ferrand. São 500 hectares e 35km de circuitos capazes de reproduzir os principais tipos de revestimentos, solos e configurações normalmente encontrados. Mais de 2.300 pesquisadores investigam e desenvolvem em suas instalações a tecnologia necessária para o aperfeiçoamento dos pneus MICHELIN. 
Almería

Localizado no sul da Espanha, estende-se por mais de 5.000 hectares de terreno. O espaço disponível e as condições climáticas excepcionais para a Europa permitem testar em condições extremas os pneus de engenharia civil, equipamentos agrícolas e veículos de carga. 
Laurens

Localizado nos Estados Unidos é dedicado ao estudo de produtos idealizados especialmente para o mercado norte-americano. É instalado em uma área de 700 hectares.

Jari

O Centro de Testes de Jari (abreviação de Japan Automobile Research Institute), no Japão, ocupa uma extensão de 250 hectares. É utilizado por todos os fabricantes de automóveis e alguns fabricantes de pneus. A MICHELIN testa ali, em pistas construídas sob medida, seus pneus destinados ao mercado asiático e mais especificamente, ao mercado japonês.



O guia vermelho 
A história do famoso GUIA MICHELIN começou em 1900, na Exposição de Paris, quando os visitantes recebiam gratuitamente um pequeno livro vermelho, com tiragem de 35 mil exemplares, distribuído pela MICHELIN, quando menos de três mil veículos circulavam nas estradas francesas. Na primeira página, uma pequena explicação de seu conteúdo: “Esse livro tenta fornecer aos automobilistas, que viajam pela França, informações úteis sobre serviços de assistência e reparação para o seu automóvel, indicações de postos de gasolina, bem com sobre onde encontrar alojamento (hotel), mapas, restaurantes e serviços de correio, telégrafo ou telefone”. Na época, a empresa queria, através de 400 páginas, indicar aos pioneiros automobilistas como trocar um pneu, onde encontrar oficinas, postos de abastecimento, pousadas e restaurantes nas então perigosas e incertas viagens de carro. Era uma forma também de estimular os motoristas a gastar pneus. Começou sendo distribuído gratuitamente aos motoristas. Isso até o dia em que um dos irmãos Michelin se deparou com uma pilha de guias no chão de uma oficina escorando uma mesa. Ficou uma fera e falou: “O ser humano só dá valor àquilo que paga”. Desde então passou a ser cobrado. De 1904 a 1914, foram criados, a partir do modelo Guia Michelin França, os guias estrangeiros para Europa (Espanha, Alemanha, Inglaterra, Irlanda e Portugal).



Em 1926 surgiu o primeiro guia turístico (da região da Bretanha) e o guia da condecoração estrela da boa mesa, surgindo assim o famoso sistema de estrelas para classificar os restaurantes. Com o tempo, outros países ganharam também edições próprias. Passava a ser publicado todos os anos, no mesmo dia, em todos os cantos do mundo, com tiragem de um milhão de exemplares. De tão corretas que eram as informações publicadas no guia, os Aliados, antes da invasão da Normandia (em 1944), forneceram aos seus oficiais uma de suas edições, para facilitar a orientação, durante a libertação das cidades francesas ocupadas na Segunda Guerra Mundial. Foram necessários 105 anos para que a MICHELIN publicasse seu primeiro Guia nos Estados Unidos, com o lançamento do Michelin Nova York em 2005. Hoje, já existe também guias de São Francisco, publicado pela primeira vez em 2006, Los Angeles, Las Vegas, entre outras cidades. Em novembro 2007, foi a vez da publicação do primeiro Guia na Ásia, em Tóquio. Em março de 2009, foi lançada a centésima edição do Guia Michelin França. Sessenta endereços ganharam sua primeira estrela e foram incluídos 86 novos Bib Gourmands, restaurantes que oferecem um bom custo-benefício. Neste mesmo ano ocorreu o lançamento do primeiro aplicativo do tradicional guia smartphone. Em 2015 foi lançado o Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo.



O Guia Michelin se transformou em uma das mais bem sucedidas estratégias de marketing da história. A cada ano, um inspetor do guia faz aproximadamente 250 refeições anônimas e passa 160 noites em hotéis, a fim de selecionarem os melhores estabelecimentos de todas as categorias de conforto e preço. Os melhores restaurantes são destacados com Bib Gourmand (cozinha de qualidade e de preço razoável) ou Estrelas, com base, exclusivamente, na qualidade da cozinha, em atribuições sempre decididas em colegiado. Ao todo são mais de 800 visitas e 1.100 relatórios redigidos. Esses são alguns dos números de um inspetor. Eles passam a vida na estrada, nos restaurantes e hotéis para encontrar os melhores endereços. A maioria dos inspetores é formada em hotelaria. Extremamente precioso para o guia Michelin, o leitor representa uma importante fonte de informações. São aproximadamente 45 mil cartas e emails enviados à empresa francesa por ano, que ajudam os inspetores a organizarem suas visitas e aprimorarem cada vez mais a qualidade da seleção. Hoje em dia a MICHELIN edita mais de 13 milhões de mapas e guias em 15 idiomas, que são comercializados em mais de 100 países. Atualmente, sua seleção é composta por 23 guias, que cobrem 24 países em 4 continentes e reúnem mais de 45 estabelecimentos no mundo. Além da tradicional versão impressa, pode ser consultado via internet, por celular ou smartphone, oferecendo as facilidades dos recursos digitais, inclusive localização por sistema GPS. 



O famoso Bibendum 
A ideia do boneco BIBENDUM (conhecido carinhosamente como BIB ou BONECO da MICHELIN) teve início em fevereiro de 1893, na Conferência da Sociedade dos Engenheiros Civis, em Paris, em que ao defender as vantagens do pneu, André Michelin pronunciou uma frase que se tornaria o lema da MICHELIN: “O pneu bebe o obstáculo”. Esta frase histórica seria bem aproveitada mais tarde. No ano seguinte, durante a Exposição Universal e Colonial de Lyon, os dois irmãos notaram, em seu estande, uma pilha de pneus de diversas dimensões, com um formato sugestivo. Edouard teria, então, dito a André: “Se tivesse braços, pareceria um homem”. Em breve, André se lembraria dessa frase.



Em 1897, o desenhista Marius Rossillon, cujo pseudônimo era O’Galop, apresentou aos irmãos diversos projetos publicitários. Entre eles, um esboço destinado a um bar-restaurante mostrava um homem gordo levantando sua caneca de cerveja, sob a frase latina “Nunc est bibendum” (em português, “Está na hora de beber”). Para a fértil imaginação de André Michelin, a frase evocava imediatamente sua fórmula “o pneu bebe o obstáculo”. Associando o gordo bebedor à imagem sugerida pela pilha de pneus em Lyon, ele encomendou um cartaz. Em 1898, segundo a ideia de André, foi criado um cartaz onde se via um imponente personagem formado de pneus, atrás de uma mesa, levantando uma taça cheia de cacos de vidro e pregos, dizendo, no momento de um brinde: “Nunc est bibendum”. Lembrando os raros donos de automóveis da época, o então chamado “Boneco Michelin” ostentava, orgulhosamente, sinais de certa prosperidade econômica, tais como anel de brasão, charuto e uma inegável corpulência. Os óculos antigos foram inspirados em André Michelin. O verdadeiro batismo de Bibendum ocorreu alguns meses mais tarde, durante a corrida Paris - Amsterdã - Paris. Ao ver passar André Michelin, o piloto Théry exclamou: “Olha lá o Bibendum!”. O nome ficou conhecido e, em pouco tempo, passou a denominar diretamente o boneco MICHELIN. Durante muitos anos, o sucesso do Boneco da Michelin foi retratado por O’Galop em diversos cartazes publicitários, tornando sua figura ainda mais popular. Um dos personagens publicitários mais famosos do mundo está presente em campanhas publicitárias e de marketing, materiais promocionais, adesivos, logotipos e até mesmo nos próprios pneus que a MICHELIN produz. Seu bom humor, a forma inusitada e a origem despertam tanta curiosidade que motivam artistas, jornalistas e até colecionadores no mundo inteiro. No ano 2000, ele foi eleito pelo tradicional jornal Financial Times e pela revista Report On Business, o melhor símbolo publicitário do mundo. Finalmente, em 2011, o Boneco da Michelin alcança sua maior façanha: entrar para o Madison Avenue Advertising Walk of Fame (espécie de calçada da fama do mundo publicitário) em Nova York.


O famoso personagem publicitário, que hoje atua como embaixador da marca e da melhor mobilidade, evoluiu seu visual ao longo dos anos. Adaptando-se à evolução dos pneus, seus anéis tornam-se mais grossos e, devido ao grande sucesso, o Boneco da Michelin passou a ter versões específicas para cada país.  Para comemorar seu centenário em 1998, o Boneco da Michelin ganhou a ajuda dos mais modernos recursos tecnológicos para chegar à sua forma atual: mais dinâmico, alegre e audaz, mas com o carisma de sempre.


A evolução visual 
O logotipo da tradicional marca francesa passou por algumas acentuadas alterações ao longo dos anos. A primeira grande modificação ocorreu em 1970 quando o logotipo adotou uma nova tipografia de letra e a mascote da marca começou a ganhar mais destaque. Em 1983, Bibendum ganhou a total atenção no logotipo com seu tamanho enorme. A última alteração ocorreu em 2000 quando uma nova tipografia de letra foi adotada, com o nome da marca escrito em um fundo azul com traço amarelo abaixo. Já a mascote (agora fazendo um gesto de saudação) foi diminuída e posicionada no lado esquerdo do logotipo.


Os slogans 
A better way forward. (2007) 
High performance, time and again… 
The more we progress, the better you advance. 
Your land deserves Michelin. (2002) 
Make sure it’s a Michelin. You’ll be all over the place without us. (1990) 
Because so much is riding on your tires. (1985) 
Get motoring. Get Michelin. (1985) 
Drive a Michelin. It makes a good fleet miles better all round. (1976) 
Get moving, go Michelin. (1970) 
A melhor maneira de ir mais longe. (Brasil)



Dados corporativos 
● Origem: França 
● Fundação: 28 de maio de 1889 
● Fundador: Édouard e André Michelin 
● Sede mundial: Clermont-Ferrand, França 
● Proprietário da marca: Compagnie Generale des Etablissements Michelin 
● Capital aberto: Sim 
● Chairman: Eric Bourdais de Charbonnière 
● CEO: Jean-Dominique Senard 
● Faturamento: €21.19 bilhões (2015) 
● Lucro: €1.16 bilhões (2015) 
● Valor de mercado: €15.6 bilhões (abril/2016) 
● Fábricas: 69 
● Presença global: 170 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 111.700 
● Segmento: Pneumático 
● Principais produtos: Pneus, câmaras de ar e protetores 
● Concorrentes diretos: Pirelli, Goodyear, Bridgestone, Firestone, Continental, Dunlop, Yokohama e Toyo 
● Ícones: A mascote Bibendum 
● Slogan: A better way forward. 
● Website: www.michelin.com.br 


A marca no Brasil 
No Brasil, a MICHELIN está presente comercialmente desde 1927 e a instalação da primeira fábrica da empresa em território nacional aconteceu somente em 1981, no bairro de Campo Grande, Rio de Janeiro, para a produção de pneus para caminhões e ônibus. Hoje, a empresa conta com aproximadamente 5.300 funcionários, distribuídos em cinco unidades industriais, escritórios regionais por todo o país e uma rede de revendedores. Para a MICHELIN, o Brasil é um mercado estratégico para seus investimentos. Da extração do látex à produção final do pneu, a empresa mantém no país toda a cadeia produtiva na fabricação de pneus.




A marca no mundo 
A marca está presente em mais de 170 países ao redor do mundo, empregando aproximadamente 112 mil pessoas. Possuí ainda 69 unidades fabris, localizadas em 19 países dos cinco continentes, seis plantações de seringueiras localizadas no Brasil (2) e Nigéria (4), 3.800 centros de serviços e distribuição, além dos Centros de Tecnologia, onde trabalham 6 mil pesquisadores, com pólos na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Em 2014 a empresa vendeu mais de 178 milhões de pneus, em uma vasta gama de produtos: do menor pneu de menos de 200 gramas até o maior com mais de cinco toneladas. As empresas do Grupo MICHELIN produzem também diariamente mais de 63.000 câmaras de ar, mais de 4 milhões de quilômetros de cabos e 96.000 rodas. Com participação de 13.7% no mercado global (segunda maior produtora de pneus do mundo), aproximadamente 33% de seu faturamento provém dos Estados Unidos e outros 49% do continente europeu. Além disso, a MICHELIN é a número 1 no mundo em recapagem de pneus. 


Você sabia? 
A MICHELIN, cujo nome completo é Manufacture Française des Pneumatiques Michelin, produz pneus para todos os tipos de veículos, incluindo aviões, automóveis, motocicletas, bicicletas, mineração e terraplenagem, caminhões e até mesmo para os ônibus espaciais da NASA. A Michelin também presta serviços digitais de ajuda à mobilidade e publica guias turísticos, guias de viagem, guias de hotelaria e de alimentação, mapas e atlas rodoviários. 
Criado em 1998, o evento anual Michelin Challenge Bibendum se tornou um dos mais importantes a tratar de soluções para o futuro da mobilidade sustentável, reunindo todos os agentes do setor do transporte, incluindo utilizadores, fabricantes, distribuidores, operadores públicos e privados, universidades, abastecedores de energia, instituições de investigação e líderes políticos. 
Até maio de 2006 a empresa era dirigida por um herdeiro da família, Édouard Michelin, que morreu afogado em um trágico naufrágio durante uma pescaria nas proximidades da ilha de Sein, em águas da Bretanha, no noroeste da França. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Exame, Época Negócios e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico e Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 7/4/2016

2 comentários:

Fábio disse...

Muito legal a história da Michelin e do boneco Bibendum, personagem pelo qual eu tenho grande simpatia, e cujo nome eu só fiquei sabendo hoje!

Anônimo disse...

Pena que a trabalhar na Michelin não é tão legal como o BIB. Trabalhei alguns anos dentro do processo C3M e foram ospiores da minha vida.